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| 07/02/2014 às 06:00 | Comente

Crítica – Her

O genial Spike Jonze, de Being John Malkovich e Adaptation, dirige e escreve o conceitual Her, que conta uma história incomum, mas não muito longe da realidade dos dias atuais, em que um solitário autor de cartas se apaixona por um sistema operacional com inteligência artificial.

O longa-metragem começa mostrando a enfadonha rotina de Theodore Twombly (Joaquin Phoenix) num futuro não muito distante. Ele trabalha numa companhia responsável por gerar cartas por computador como se fossem escritas à mão. Introvertido, ele se encontra ainda nas vias finais de um complicado divórcio com a ex-esposa Catherine (Rooney Mara), por quem ainda é apaixonado. Seus únicos amigos são o casal de vizinhos Charles (Matt Letscher) e Amy (Amy Adams), com quem possui uma longa relação unicamente platônica.

Ao longo da película, descobrimos, através de flashbacks da vida de Theodore com Catherine, sua incapacidade de satisfazer suas parceiras, seja romanticamente ou sexualmente. Quando é anunciado o lançamento do OS1, o primeiro sistema operacional com inteligência artificial, ele decide arriscar, ao que conhece Samantha (Scarlett Johansson), com quem, hesitante, começa a falar diariamente, e através da qual descobre que o seu maior defeito é a sua falta de confiança.

Ao passo em que Theodore se abre intimamente com Samantha, esta também evolui na medida em que aprende coisas novas com ele, e enquanto um vai suprindo a necessidade e o vazio de conhecimento e vivacidade do outro, os dois se descobrem incapazes de ficar um sem o outro e começam a se apaixonar.

Por mais absurdo e bizarro que possa parecer a narrativa, na medida em que Samantha não possui um corpo, o que não afasta a credibilidade do relacionamento já que sua consciência nos faz ter a absoluta certeza de que ele poderia muito bem se passar por uma humana, os dois acabam se completando em diversos aspectos e evoluindo de tal forma que num determinado momento já não reconhecemos mais o Theodore do começo da película.

Ainda que Her seja um filme que tem por objetivo explorar as dificuldades enfrentadas pelas pessoas nos dias de hoje de se aproximar de novos contatos no mundo real e de manter relacionamentos, a premissa do longa-metragem é não se deixar morrer e viver cada instante como se fosse o mais precioso de todos: em outras palavras, aproveitar o momento.

Se as inseguranças e os temores que se abatem sobre Theodore a ponto da abalar totalmente sua confiança sobre si mesmo não afetam a audiência, ao menos a lição aprendida pelo personagem vale a pena, e a conclusão final é que devemos todos saber olhar mais para os que estão ao nosso lado, e deixar a vida seguir seu rumo sem se desesperar com a ausência de alguma coisa que, no final das contas, não é essencial para a nossa existência. Ou seja, devemos todos aprender a nos sentir felizes conosco mesmos antes de assumir uma relação a dois.

Infelizmente, Joaquim Phoenix, que desempenha aqui com muita abnegação sua interpretação do personagem Theodore, não recebeu uma indicação pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, o que, no entanto, não afasta a magnitude de sua performance, a qual vale a pena ser conferida!

 

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